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A construção de horários e a divisão de turmas pelos turnos da manhã e da tarde constituem, todos os anos, um desafio para a maioria das escolas. A atual situação pandémica acentuou este esforço, por forma a garantir o desdobramento de turmas e aliviar as escolas de uma excessiva concentração de alunos.

Estudos recentes no domínio da economia da educação dão-nos algumas indicações acerca de como diferentes estruturas de horário ou horas de início das aulas poderão ter sobre os resultados dos alunos.

Período da manhã, ou da tarde?

Um estudo feito para um país do Leste Europeu[1] observou cerca de 260 mil alunos do 3º ciclo e ensino secundário, entre 2008 e 2014. Estes alunos poderiam estudar em dois períodos distintos, muito semelhantes aos verificados na realidade portuguesa: um de manhã, a começar às 7h30 e a terminar pelas 13h20, e um de tarde, com início pelas 13h30 e fim pelas 19h20. Os alunos do ensino secundário estariam alocados ao turno da manhã durante os meses de setembro, outubro, fevereiro, abril e junho, enquanto os alunos do 3º ciclo ocupariam o bloco de manhã nos restantes meses – novembro, março e maio. Esta solução foi a possível, uma vez que as autoridades locais de educação não conseguiram chegar a um consenso acerca de qual o ciclo de ensino que deveria ser alocado permanentemente a um turno durante todo o ano escolar.

Esta variação ao longo do tempo serviu de base para calcular qual o impacto nas notas dos alunos nas diferentes disciplinas, entre os meses em que começavam as aulas no turno da manhã ou no turno da tarde. Concluiu-se que ter aulas durante o turno da manhã tem um impacto positivo, mas baixo, em cerca 0,04 pontos numa escala de 2-6 (numa média de notas de 4,36), aumentando também, de forma marginal, a probabilidade de ter notas negativas.

Um outro estudo utilizou uma base de dados de mais de 1,8 milhões de alunos do distrito escolar de Los Angeles,[2] nos quais os mesmos alunos são observados várias vezes ao longo do tempo, entre 2003 e 2009. Estes alunos foram expostos sucessivamente a disciplinas que poderiam ser lecionadas em seis blocos distintos ao longo do dia: dois antes do almoço, dois entre o almoço e o lanche e outros dois depois do lanche.

Para aferir o impacto de ser exposto a uma aula em diferentes momentos do dia foram usados os resultados nas notas finais de matemática e inglês e também nos exames centralizados a estas mesmas disciplinas, organizados pelo Estado da Califórnia entre o 2º e o 11º ano.

Concluiu-se que, considerando uma escala de 1-4, ter aulas de manhã aumenta a nota final de matemática em cerca de 0,09 pontos (para uma média de 2,02) e a nota de inglês em cerca de 0,04 pontos (para uma média de 2,30). Por sua vez, no exame centralizado de matemática, as aulas lecionadas no período da manhã aumentam em cerca de 1,29 pontos o resultado a matemática (para uma média no teste em torno dos 310 pontos); não tendo, contudo, qualquer impacto nos resultados do exame de inglês. Mais uma vez, estes impactos foram mínimos, não sendo totalmente possível identificar os mecanismos por detrás deste pequeno efeito.

De manhã, ou de tarde, as horas não são todas iguais

Além da questão acerca do turno em que as aulas acontecem, é igualmente relevante a hora a que as mesmas se iniciam. Um estudo feito para um condado da Carolina do Norte,[3] nos Estados Unidos, mediu o impacto de diferentes horas de início das aulas. Estas variavam normalmente entre as 7h30 e as 8h45 da manhã, sendo que se foram alterando, ao longo do tempo, entre escolas e dentro de cada uma delas devido a sucessivas mexidas no horário dos autocarros escolares.

Os impactos foram medidos nos resultados de provas universais e comparáveis de cerca de 100 mil alunos entre o 6º e o 8º ano. Concluiu-se que iniciar as aulas uma hora mais tarde corresponde a um aumento nos resultados dos alunos entre 1,5 e 3 pontos de percentil em matemática e em leitura. Verificou-se, ainda, que este efeito é mais forte para alunos com resultados escolares mais baixos.

Este estudo conseguiu identificar um dos canais que poderá ser responsável por esta melhoria de resultados. Para além de permitir um sono mais prolongado de manhã aos alunos, entrar uma hora mais tarde diminui o tempo de visionamento de televisão em cerca de 12 minutos por dia e aumenta o tempo passado a fazer trabalhos de casa em cerca de 9 minutos por semana. Tal acontece porque os alunos que entram uma hora mais tarde na escola, também saem mais tarde, passando, assim, potencialmente menos tempo sozinhos em casa e mais tempo acompanhados pelos seus pais.

Um estudo complementar com alunos do ensino secundário,[4] com dados do mesmo condado da Carolina do Norte, não confirmou este impacto positivo nos resultados escolares. Contudo, verificou que o início mais tardio das aulas teve impacto na diminuição do número de faltas e de atrasos por parte destes alunos.

Em suma

Estas experiências internacionais parecem sugerir que ter aulas durante o turno da manhã tem um impacto positivo, mas de baixa magnitude. Impactos positivos de maior dimensão são encontrados quando medimos o efeito de iniciar as aulas um pouco mais tarde de manhã, tanto nos resultados escolares, como em dimensões não cognitivas dos alunos.


Referências

[1] Lusher, L., & Yasenov, V. (2016). Double-shift schooling and student success: Quasi-experimental evidence from Europe. Economics Letters, 139. https://doi.org/10.1016/j.econlet.2015.12.009

[2] Pope, N. G. (2016). How the time of day affects productivity: Evidence from school schedules. Review of Economics and Statistics, 98(1). https://doi.org/10.1162/REST_a_00525

[3] Edwards, F. (2012). Early to rise? The effect of daily start times on academic performance. Economics of Education Review, 31(6). https://doi.org/10.1016/j.econedurev.2012.07.006

[4] Lenard, M., Morrill, M. S., & Westall, J. (2020). High school start times and student achievement: Looking beyond test scores. Economics of Education Review, 76. https://doi.org/10.1016/j.econedurev.2020.101975


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