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Um estudo muitíssimo atual, publicado em setembro deste ano, investigou uma forma de aliar os benefícios adicionais da prática da recuperação a atividades de aprendizagem generativa como a elaboração.

Os investigadores deste estudo analisaram, essencialmente, a interação entre duas variáveis: 

  1. A aprendizagem generativa, que se refere a qualquer atividade de aprendizagem que requeira um processo de criação por parte do aluno, e que pode incluir, entre outras atividades, a organização da matéria (através da identificação das ideias-chave) ou a elaboração de respostas (através da colocação de perguntas como “quando” e “porquê”) e;
  2. A prática da recuperação de informação. Uma variável que os investigadores manipularam, solicitando a três grupos de participantes que realizassem testes com perguntas generativas; sendo que dois dos grupos puderam consultar a matéria durante o teste, e um dos grupos não.

O que é a elaboração?

O termo elaboração pode ter uma série de significados diferentes, consoante o contexto. Em contexto de estudo e de aprendizagem, a estratégia da elaboração consiste em explicar e descrever ideias de forma muito detalhada. Além disso, envolve a relação entre ideias que estão a ser aprendidas e a associação dos tópicos com as experiências pessoais, a memória e a vida quotidiana dos alunos.

ver Megan Smith & Yana Weinstein, "Learn How to Study Using... Elaboration". The Learning Scientists: 2020.

Um dos motivos que levou os investigadores a manipularem a segunda variável foi o facto de estudos anteriores terem demonstrado que os testes sem consulta podem prejudicar a aprendizagem generativa devido às falhas de recuperação. Se os alunos não se conseguirem lembrar daquilo que têm de explicar, como é que o vão explicar? Se lhe pedir para me dar um exemplo sobre um determinado assunto e não se lembrar do conceito que é suposto exemplificar, não será capaz de produzir um bom exemplo.

Um outro aspeto interessante deste estudo foi o facto de os investigadores alterarem as condições da prática da recuperação. Um grupo de participantes realizou um teste com a possibilidade de consultar a matéria enquanto respondia às perguntas. Um outro grupo realizou o mesmo teste sem qualquer tipo de consulta. E um terceiro grupo realizou o teste consultando a matéria e as perguntas alternadamente. Ou seja, foi dada a hipótese a estes participantes de consultar a matéria, ou o enunciado, mas nunca ambos em simultâneo. Mais tarde, os investigadores submeteram todos os participantes a um teste final para avaliarem os efeitos da realização de testes com e sem possibilidade de consulta na aprendizagem.

O que é a interrogação elaborativa?

A interrogação elaborativa é um método específico de elaboração, em que os alunos se interrogam sobre o como e o porquê das coisas e procuram responder a essas perguntas. O tipo de perguntas dependerá, em parte, dos tópicos de aprendizagem, podendo incluir formulações como: “Porque é que X acontece?”, “Como é que funciona X?”, “Quando é que X aconteceu?”, “O que fez com que X acontecesse?”, “Qual foi o resultado de X ter acontecido?”, e assim por diante.

ver Megan Smith & Yana Weinstein, "Learn How to Study Using... Elaboration". The Learning Scientists: 2020.

Os resultados foram interessantes:

  1. Os alunos que realizaram os testes sem consulta tiveram um pior desempenho nas atividades de aprendizagem generativa. Este resultado deveu-se, provavelmente, ao efeito descrito acima. Os alunos que não conseguiram recuperar a informação necessária para realizarem as atividades generativas tiveram um pior desempenho.
  2. Os participantes que realizaram os testes sem consulta e os participantes que realizaram os testes com consulta apresentaram os mesmos níveis de desempenho. Uma vez que os testes com consulta melhoraram a capacidade de criação e os testes sem consulta melhoraram a capacidade de recuperar informação, ambos os grupos tiveram uma capacidade acrescida de recordar informação no teste final.
  3. O grupo que consultou alternadamente a matéria e as perguntas foi o que apresentou melhores resultados de aprendizagem a longo prazo. Este grupo beneficiou simultaneamente da eficácia das estratégias de recuperação e de criação/elaboração. Embora, neste caso, a prática da recuperação tenha tido uma duração mais curta do que a de um teste puramente sem consulta, os alunos foram mais bem-sucedidos a recuperar informação, ficando, consequentemente, mais aptos a realizar as atividades de criação!

O estudo aponta conclusões importantes:

  • Os mecanismos são relevantes. Não basta saber que a elaboração e a prática da recuperação são boas estratégias de aprendizagem. É preciso que nos debrucemos sobre o motivo pelo qual são eficazes e que analisemos as atividades desenvolvidas para garantirmos que os alunos estão a processar a informação tal como julgamos que o estão a fazer.
  • A avaliação é relevante. Se assumirmos que a prática da recuperação irá funcionar simplesmente por se tratar de uma estratégia de eficácia comprovada, estaremos a prestar um mau serviço aos nossos alunos. É preciso que sejamos objetivos, que confirmemos se a aprendizagem está, de facto, a ocorrer, e que implementemos melhorias sempre que necessário.
  • A combinação de atividades de aprendizagem nem sempre é simples. Há que ter em conta os mecanismos envolvidos. Este estudo mostrou que a mera combinação da elaboração com a prática da recuperação, sem uma consideração cuidadosa daquilo que poderia acontecer, acabou por prejudicar a aprendizagem! Embora a combinação destas estratégias possa ser muito vantajosa, tem de ser sempre realizada de forma intencional e ponderada.

Conclusão

Se estiver a ponderar adicionar à elaboração os benefícios da prática da recuperação, não peça simplesmente aos seus alunos que respondam a perguntas elaborativas sem se certificar de que são capazes de recuperar a informação relevante. Dê-lhes uma oportunidade de relerem a matéria e de procurarem mais informação antes de terem de voltar a recuperá-la. Desta forma, permitirá que melhorem simultaneamente a sua metacognição e a sua capacidade de aprender com os erros!


Referências

Waldeyer, J., Heitmann, S., Moning, J., & Roelle, J. (2020). Can generative learning tasks be optimized by incorporation of retrieval practice? Journal of Applied Research in Memory and Cognition, 9. 355-369. https://doi.org/10.1016/j.jarmac.2020.05.001


Este texto é fruto de uma parceria da Iniciativa Educação com The Learning Scientists.

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