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Em muitos países, os alunos com pior desempenho escolar provêm sistematicamente de grupos socioeconómicos desfavorecidos, o que torna esta circunstância num fator de previsão de insucesso académico.

As últimas décadas de investigação salientaram o papel fundamental das escolas para a melhoria dos resultados escolares deste grupo de alunos, bem como o papel decisivo das escolhas pedagógicas dos professores para o seu sucesso académico. De entre as várias abordagens pedagógicas existentes, há dois modelos, frequentemente contrastados, que se destacam: o modelo de ensino explícito e o modelo socioconstrutivista.

Um estudo muito recente[1] comparou a eficácia de ambos os modelos no ensino da subtração em escolas com uma grande concentração de alunos socioeconomicamente desfavorecidos. Mas antes de olhar para as conclusões do estudo, talvez seja útil perceber um pouco melhor a essência de cada uma destas abordagens.

Socioconstrutivismo vs ensino explícito

No modelo socioconstrutivista, o papel do professor é criar as condições necessárias para que os alunos construam novos conhecimentos. Uma aula socioconstrutivista está subdividida em diferentes etapas para permitir que os alunos descubram uma nova capacidade. Na primeira etapa, os alunos são incentivados a investigar um problema ou uma situação específica (geralmente em grupo), e o professor acompanha e orienta as discussões e a partilha de informações entre os alunos. Em seguida, o professor e os alunos comparam e discutem as diferentes propostas e o professor «institucionaliza» as soluções corretas. Por fim, inicia-se a etapa da prática.

No modelo de ensino explícito, o papel do professor é orientar a aquisição de novos conhecimentos. Os conteúdos são apresentados de forma planeada e sistemática, dos mais simples para os mais complexos, e são aplicadas estratégias específicas nas principais fases do processo de ensino. Na fase de preparação, o professor esclarece os objetivos de aprendizagem e os resultados esperados, identifica as ideias-chave e determina os conhecimentos prévios necessários. Em seguida, as aulas subdividem-se em três etapas: modelagem, prática orientada e prática independente.

Qual o modelo mais eficaz?

O referido estudo comparou a eficácia de ambos os modelos no ensino da subtração por decomposição a alunos do segundo ano do ensino básico (com idades entre os 6 e os 8 anos). A hipótese testada foi a de que o modelo de ensino explícito seria mais eficaz do que o modelo construtivista para o efeito.

Participaram no estudo oitenta e sete alunos do segundo ano provenientes de seis escolas primárias públicas de áreas da Martinica com condições socioeconómicas mais precárias. Foi selecionada uma turma por escola, atribuindo-se cada um dos modelos de ensino às seis turmas de forma aleatória, ficando 45 alunos abrangidos pelo modelo de ensino explícito (grupo experimental) e 42 alunos pelo modelo de ensino socioconstrutivista (grupo de controlo). Ambos os grupos contaram com uma distribuição de idades e de género equilibrada. Todos os participantes realizaram um pré-teste e um pós-teste. O estudo foi estruturado em três etapas (pré-teste, intervenção e pós-teste), foi aplicado um desenho experimental misto 2×2 (modelo de ensino: explícito; socioconstrutivista) e as medições foram efetuadas através de pré-testes e pós-testes. A técnica de subtração foi ensinada a ambos os grupos ao longo de 5 semanas.

O estudo testou a hipótese de que os alunos que fossem ensinados através do modelo explícito aprenderiam melhor a subtração do que através do modelo socioconstrutivista. A hipótese foi confirmada. O estudo mostrou que os alunos progrediram com ambos os modelos, mas os benefícios foram mais evidentes para os alunos que receberam instrução explícita.

As vantagens do modelo de ensino explícito

Mais concretamente, o estudo provou que o método explícito é mais eficiente no ensino de problemas comuns de subtração e do método da subtração por decomposição, que constituem dificuldades de aprendizagem frequentes entre os alunos com baixo aproveitamento escolar.

O modelo de ensino explícito multiplica as oportunidades de prática e de aprendizagem durante as etapas de modelagem e de prática orientada, sendo que na primeira etapa, o professor verbaliza os procedimentos, e na segunda os alunos verbalizam e explicam o seu raciocínio.

Além disso, existem diferenças significativas na forma como cada modelo aborda o erro. O modelo socioconstrutivista expõe os alunos a soluções corretas e a soluções incorretas, o que pode gerar confusão e resultar numa aprendizagem insuficiente e incompleta, uma vez que existe a possibilidade de os alunos memorizarem a solução incorreta. Já o ensino explícito atribui uma importância fundamental ao feedback do professor, que corrige os erros no preciso momento em que são cometidos, antes de os alunos prosseguirem com o processo de aprendizagem. Esta abordagem explica a relevância do modelo de instrução explícita para o ensino de tarefas novas e complexas a alunos com dificuldades de aprendizagem.

Em suma

Este estudo sugere que o modelo de ensino explícito é uma abordagem promissora para a aprendizagem de conhecimentos matemáticos de alunos com baixo aproveitamento escolar e socioeconomicamente desfavorecidos. É um bom exemplo de uma investigação bem elaborada no campo da educação e também uma validação do modelo de ensino explícito “PIC” (Preparação-Interação-Consolidação) tal como proposto por Gauthier, Bissonnette e Richard.[2]


Referências

[1] Guilmois, C., Popa-Roch, M., Clément, C., Bissonnette, S. e Troadec, B. (2020): Effective numeracy educational interventions for students from disadvantaged social background: a comparison of two teaching methods, Educational Research and Evaluation. https://doi.org/10.1080/13803611.2020.1830119

[2] Gauthier, C., Bissonnette, S., & Richard, M. (2013). Enseignement explicite et réussite des élèves. La gestion des apprentissages. Bruxelles : De Boeck.


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