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O olhar perdido à procura de um ponto de fuga, mãos a transpirar, desânimo completo em frente à folha de papel… A ansiedade face à matemática é uma condição que atinge alunos de todo o mundo, acabando por afetar tanto o desempenho académico como as escolhas profissionais.

Nas últimas décadas, têm vindo a ser revelados vários fatores relacionados com a ansiedade perante a matemática, que podem ser encontrados no indivíduo (como por exemplo o género, a relação do aluno com o professor de matemática) e no ambiente educacional (a ansiedade do professor, o ambiente da sala de aula). No entanto, até agora, estes preditores têm sido estudados de uma forma isolada.

Partindo dos dados de mais de um milhão de alunos, de todo o mundo, um grupo de psicólogos da Universidade de Western Ontario, no Canadá, verificou que não só a ansiedade perante a matemática é um fenómeno real, mas também que afeta fortemente o resultado académico. Publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), este estudo surge como o maior e mais diverso trabalho em torno do tema. 

«O nosso estudo mostra que a ansiedade perante a matemática é uma condição humana muito presente, sendo vivida por alunos de todo o mundo», sublinhou o coordenador do estudo, Nathan Tan Lau. «Está claramente relacionada com o desempenho em matemática e, em praticamente todos os países analisados, as crianças com maior ansiedade perante a matemática são também as que apresentam um pior desempenho.»

De sublinhar, ainda, que o contexto escolar é um fator importante na equação, já que o nível de ansiedade demonstrado pelos colegas também influencia o desempenho individual. «Um aluno com um baixo nível de ansiedade, inserido numa turma onde se registam elevados níveis de ansiedade, por causa da inexperiência do professor, ou mesmo por causa dos outros alunos, tem maior probabilidade de apresentar um baixo desempenho», detalha o investigador. Ou seja, o ambiente emocional em que se aprende tem uma enorme influência. «Para compreender a ansiedade perante a matemática é preciso não só compreender o aluno, mas também o contexto em que está a aprender», complementa Daniel Ansari, outro dos autores do estudo. «A visão que os alunos têm do professor, a quantidade de trabalhos de casa, o quanto estudam com os pais e o quão ansiosos são os colegas, são tudo elementos importantes», resume. Especificamente, a perceção relativamente à competência do professor faz diminuir a ansiedade. E também, quanto maior a confiança do professor nas suas capacidades, menor o impacto da ansiedade individual no desempenho do aluno. Por outro lado, um maior envolvimento dos pais e uma maior carga de trabalhos de casa aumenta a ansiedade.

Ansari faz questão de realçar que não é garantido que exista uma relação de causa/efeito entre o envolvimento dos pais e o nível de ansiedade dos filhos. «Não podemos afirmar que seja o facto de os pais ajudarem os filhos nos trabalhos de casa que leva a uma maior ansiedade. Pode ser ao contrário: os alunos que têm mais dificuldades precisam de mais ajuda.»

Se, por um lado, é um facto que a ansiedade face à matemática tem um impacto tão grande no sucesso na disciplina como a condição socioeconómica ou o sentido do número, também é certo que esta não significa que o aluno não seja bom na disciplina. «Os estudantes com ansiedade não apresentam desvantagens cognitivas», tranquiliza Ansari. «Não é a mesma coisa que discalculia.»

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