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Numa investigação publicada online este mês de junho na revista Scientific Studies of Reading, um grupo de investigadores da Universidade de Oxford e da Universidade Católica Australiana, verificou que a qualidade inicial da caligrafia prediz o desenvolvimento da capacidade de escrita das crianças. No entanto, não verificou o mesmo relativamente à leitura.

Este estudo é interessante porque existem alguns modelos teóricos que sugerem a importância da escrita à mão para a aprendizagem da leitura e escrita, mas são ainda escassos os dados científicos que sustentam esta importância. E os dados que existem referem-se a sistemas não alfabéticos.

Na ortografia chinesa, por exemplo, tem sido sugerido que a escrita assume um papel crítico na aprendizagem da estrutura visual dos caracteres. Por isso, na ortografia chinesa, as capacidades iniciais de escrever à mão estariam simultaneamente relacionadas com a capacidade de leitura e escrita. Nos sistemas alfabéticos, porém, os dados sobre a relação entre a capacidade de escrever à mão e a capacidade de leitura e escrita são bastante limitados.

A investigação de aqui se dá notícia é, segundo os seus autores, o primeiro estudo longitudinal com uma amostra ampla e representativa que procura esclarecer essa relação. Mais especificamente, os investigadores procuraram responder à seguinte pergunta: a qualidade inicial da caligrafia prediz o desenvolvimento da leitura e escrita? Ou seja, será que a qualidade de caligrafia adquirida numa determinada etapa de aprendizagem é um fator estatisticamente explicativo da capacidade de leitura e escrita alcançada numa etapa posterior?

Para tentar responder a esta questão, os investigadores selecionaram 569 crianças de 11 escolas primárias de Brisbane, na Austrália. Os alunos foram avaliados de seis em seis meses, em três momentos: no final do 1.º ano de escolaridade (média de idades: 69,65 meses), no início do 2.º ano (média de idades: 75,69 meses) e no fim desse mesmo ano (média de idades: 81,23 meses). No primeiro momento, as crianças foram avaliadas em diversas capacidades básicas de alfabetização: conhecimento das correspondências letras-sons, consciência fonémica, nomeação rápida, e leitura e escrita de palavras simples. No segundo momento, foram avaliadas em coordenação motora fina e qualidade da caligrafia, nomeadamente formato das letras, inclinação, ritmo, habilidade e aparência geral. No terceiro momento, foram avaliadas em capacidade de leitura e escrita.

Os resultados mostraram que:

  1. A qualidade inicial da caligrafia está moderadamente correlacionada com a capacidade de leitura e escrita;
  2. A qualidade inicial da caligrafia prediz o desenvolvimento posterior da escrita, mas não de leitura.

Como os autores do estudo referem, os resultados são consistentes com a perspetiva de que as capacidades de transcrição estão íntima e reciprocamente relacionadas com a alfabetização. O facto de a qualidade inicial da caligrafia estar positivamente relacionada com o desenvolvimento da competência de escrita está também de acordo com as teorias que defendem que a escrita de palavras pode promover a formação de representações ortográficas de palavras escritas na memória motora. Pais e educadores podem, nesse sentido, incentivar as crianças a treinar sistematicamente a caligrafia, bem como a praticar regularmente a escrita de palavras, de forma a estimular o desenvolvimento dessas representações. A escrita de palavras, concluem os autores do estudo, é muito importante para fixar a ordem das letras nas palavras. Não se deve porém concluir que tal treino tenha necessariamente reflexos na capacidade de leitura.


Referência Bibliográfica

Pritchard, V. E., Malone, S. A., & Hulme, C. (2021). Early handwriting ability predicts the growth of children’s spelling, but not reading, skills. Scientific Studies of Reading, 25(4), 304-318. https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/10888438.2020.1778705


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