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Na primavera de 2020, em resposta à pandemia, mais de 190 países encerraram todos os seus estabelecimentos de ensino, afetando cerca de 90% da população mundial de alunos, o que se traduz em mais de 1,6 mil milhões de crianças e jovens. Embora muitos governos estejam, neste momento, a reabrir as escolas, milhões de estudantes em todo o mundo já perderam vários meses de aulas presenciais e poderão continuar a perder oportunidades de aprendizagem. Diversos estudos recentes têm mostrado que a educação promove o acesso futuro a melhores condições de saúde, empregabilidade e rendimentos. A nível nacional, o investimento na educação potencia o desenvolvimento económico e social de um país.

As perturbações no sistema educativo, em situação de pandemia e noutras situações de crise, são especialmente preocupantes, já que a experiência nos mostra que os efeitos negativos da paralisação do ensino para as crianças e jovens são numerosos e prolongados. O impacto do encerramento das escolas implica, não só uma diminuição geral dos níveis de escolaridade e um aumento da morbilidade e inaptidão dos alunos, mas também a perda de rendimentos futuros que, por sua vez, conduzirá a perdas de produtividade que podem colocar em risco economias inteiras. O impacto da gripe espanhola de 1918, por exemplo, estendeu-se até à década de 80 do século XX. Durante a pandemia, as coortes in utero, quando comparadas com outras coortes de nascimento, exibiram menores níveis de escolaridade, maiores taxas de inaptidão física, menores rendimentos e níveis socioeconómicos mais baixos, requerendo mais apoios financeiros por parte do estado. Além disso, a população ativa acabou por sofrer perdas salariais na ordem dos 5 a 9 por cento.

Uma simulação do impacto da COVID-19 na educação, ajustada por fatores de qualidade, indica que, a nível mundial, os alunos poderão ter perdido 0,3 a 0,9 anos de escolaridade, reduzindo o número efetivo de anos de escolaridade ao longo da vida de 7,9 para entre 7 a 7,6. Após a realização de uma estimativa dos custos do encerramento das escolas para os rendimentos ao longo da vida dos alunos em idade escolar, bem como das perdas de PIB para países de rendimento baixo, médio e elevado, concluímos que são ambas muito substanciais. O valor atual estimado de perda de rendimentos ao longo da vida, a nível individual, é de 2862 dólares em países de rendimento baixo, 6882 dólares em países de rendimento médio, e 21 372 dólares em países de rendimento elevado. A nível mundial, este impacto representa uma perda de rendimentos de 11 230 dólares, por cidadão ativo, ao longo da vida. É provável que o encerramento das escolas reduza o crescimento económico mundial a um ritmo anual de cerca de 0,8 por cento. Além disso, estima-se que as perdas de rendimento nacional bruto sejam mais significativas em países de rendimento médio e baixo, do que em países de rendimento elevado.

Na tentativa de mitigarem as perdas de aprendizagem e o respetivo impacto nos rendimentos futuros dos cidadãos, os governos implementaram programas de ensino a distância e, em muitos países, os sistemas educativos foram colocados online. Nos países cuja população tem um acesso adequado à Internet e aos dispositivos necessários, o acesso ao ensino foi muito bom. Nos países cuja população tem um menor acesso à Internet e a dispositivos eletrónicos, foram adotados outros meios, como por exemplo, transmissões televisivas, transmissões de rádio, métodos tradicionais de ensino à distância (por ex., por correio) ou até aulas presenciais em pequenos grupos, sempre que estivessem garantidas condições de segurança. Contudo, para alguns países, foi mais difícil assegurar o acesso à educação em contexto de pandemia.

Uma das maiores limitações destas medidas é a falta de interação entre o aluno e o professor, que não é possível, por exemplo, através de transmissões televisivas ou de rádio. Há cada vez mais evidências de que o encerramento das escolas está a gerar perdas de aprendizagem reais. Embora a investigação sobre os efeitos do encerramento das escolas continue em curso, os resultados iniciais da Bélgica, dos Países Baixos, da Suíça e do Reino Unido identificaram perdas efetivas de aprendizagem e um aumento das desigualdades entre os alunos. Mais alarmante, ainda, é o facto de as perdas de aprendizagem serem muito mais acentuadas em alunos provenientes de famílias com menor grau de instrução.

Para que os governos consigam mitigar os efeitos negativos destes desafios e construir, simultaneamente, sistemas educativos mais resilientes e capazes de fazer frente a crises futuras, identificámos três intervenções fundamentais:

1.   Implementação de programas de recuperação de aprendizagem

No imediato, o mais importante é garantir que os alunos que perderam oportunidades de aprendizagem recebam o apoio necessário para alcançarem os padrões de aprendizagem esperados. O primeiro passo terá de envolver a realização atempada de avaliações que permitam identificar estes alunos e as respetivas necessidades de apoio. A investigação mostrou que um programa de 12 semanas de aulas particulares, num modelo de tutoria, pode fazer com que os alunos progridam o equivalente a três a cinco meses de aulas normais. Em Itália, um grupo de alunos do ensino secundário com três horas de tutorias online por semana demonstrou um aumento de 4,7 por cento no seu desempenho escolar.

2.   Proteção do orçamento para a educação e planeamento das despesas de educação

O enorme esforço financeiro a que as economias têm estado sujeitas em contexto de pandemia, poderá resultar em cortes orçamentais que coloquem em risco os progressos alcançados nos últimos anos em termos de acesso à educação e de melhoria dos resultados de aprendizagem. De forma a garantirem o apoio necessário aos alunos mais vulneráveis, os governos deverão alocar uma grande parte dos fundos e recursos educativos às escolas que estão a prestar ensino a distância, sobretudo se essas escolas atenderem a populações com altos índices de pobreza e de minorias. Para encorajarem os alunos a permanecerem na escola, os governos poderão ter de implementar incentivos como, por exemplo, bolsas de estudo.

3.   Preparação para futuros choques

Para se prepararem melhor para eventuais crises futuras, os governos deverão investir na capacidade de garantir a escolarização da população com base em modelos de ensino mistos, preparando as escolas para alternarem facilmente entre o ensino presencial e o ensino a distância. Esta adaptação também criará oportunidades para o desenvolvimento de abordagens de ensino e aprendizagem mais individualizadas. Para o efeito, é necessário que se desenvolvam currículos flexíveis, que possam ser ensinados presencialmente e online, e é fundamental que os professores estejam preparados para gerir uma maior diversidade de dispositivos, na eventualidade de as escolas terem de voltar a encerrar.

Atualmente, vários países estão a dar renovada atenção aos seus currículos de forma a identificarem e a destacarem os conteúdos de aprendizagem fundamentais e a definirem, de forma clara, aquilo que os alunos têm de saber. Ou seja, estão a colocar a ênfase nos padrões de aprendizagem e na melhoria do aproveitamento escolar, o que é de extrema importância, tendo em conta os baixos padrões de aprendizagem pré-pandemia e as perdas já ocorridas a nível mundial desde o encerramento das escolas.

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