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Um estudo recém-publicado vem dar nova importância à literacia no sucesso e prosseguimento dos estudos. Analisando uma enorme base de dados de estudantes ingleses, e completando-a com dados norte-americanos, os investigadores compararam o desenvolvimento das capacidades linguísticas dos estudantes com o desenvolvimento paralelo das suas capacidades quantitativas. Verificaram que a literacia é ainda mais importante do que a numeracia para prever o êxito nos estudos, e mesmo no ingresso na universidade.

Os autores deste estudo, Esteban Aucejo e Jonathan Jones, ambos professores e investigadores universitários nos Estados Unidos (o primeiro de origem argentina, o segundo, norte-americana), puderam apoiar-se numa extensa base de dados administrativos com cerca de meio milhão de estudantes.

Como indicador do desenvolvimento da literacia e numeracia, partiram da avaliação dos alunos no fim de cada um dos quatro ciclos (key stages), incluindo a avaliação dada pelos professores e as provas nacionais estandardizadas que os alunos realizam no que equivale aproximadamente, em Portugal, aos 3.º, 6.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade. No total, incluíram em média 33 avaliações por aluno.

Os dados de cada um, seguidos do início da escolaridade obrigatória à conclusão dos estudos superiores, integram ainda os rendimentos dos pais e indicadores de residência e da qualidade das escolas, além de outros elementos de contexto.

Com dados tão extensos e pormenorizados, e tendo seguido alunos dos 5 aos 22 anos, os investigadores conseguiram aplicar métodos estatísticos sofisticados, estimando as funções chamadas de produção, e mediram o impacto do desenvolvimento cruzado das capacidades linguísticas dos estudantes e das suas capacidades quantitativas ou matemáticas.

O artigo, publicado numa das melhores revistas da especialidade, deteta uma influência significativa do desenvolvimento da literacia na melhoria da numeracia, mas não encontra uma influência inversa que seja estatisticamente significativa.

No prosseguimento dos estudos, sobretudo na universidade, o estudo revela uma influência positiva da literacia cerca de duas vezes superior à da numeracia. Verificando que as alunas têm, em geral, maiores capacidades de leitura e expressão do que os alunos, os autores sugerem que esse fator contribui para a desproporção crescente no acesso à universidade entre rapazes e raparigas, com vantagem para as raparigas.

Além disso, estas estimativas explicam o papel muito importante da capacidade de interpretação/expressão oral e escrita na vida profissional.

Em suma, os autores sugerem que, em todo o percurso escolar dos jovens, deve dar-se muito mais importância a desenvolver as capacidades de interpretação e expressão orais e escritas do que se tem dado.

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