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Numa investigação recentemente publicada na revista científica Reading and Writing, um grupo de investigadores de Inglaterra e do Canadá conseguiu mostrar que a correta entoação da fala tem um papel importante para ajudar as crianças a aprender a ler.

Há muito que se estuda a influência da sensibilidade prosódica, ou seja, da capacidade de correta modulação e compreensão da modulação da fala, na aprendizagem da leitura e da escrita. De acordo com os modelos teóricos mais comuns na área, esta influência manifesta-se através do conhecimento do vocabulário e da consciência fonológica e morfológica (em termos simples: consciência dos sons constitutivos das palavras e da sua estrutura).

A grande dúvida está no sentido em que estas influências atuam. Será que a leitura e a escrita ajudam a correta entoação das frases ou será que é a entoação correta que ajuda a aprendizagem da leitura e escrita? É claro que os dois fatores se entreajudam, mas qual deles é preponderante e qual a relação de precedência? Como a maioria dos estudos tem sido feita com crianças já iniciadas na leitura, a dúvida tem subsistido no que se refere ao período antecedente.

Neste estudo, os autores constituíram uma amostra de uma centena de crianças de quatro e cinco anos de idade. Avaliaram essas crianças no que respeita à entoação e à sensibilidade à entoação das palavras e frases, ao conhecimento do vocabulário e à consciência dos sons constitutivos das palavras. Um ano depois, avaliaram a capacidade de leitura e escrita de palavras que as mesmas crianças tinham, entretanto, desenvolvido.

Através de uma técnica estatística designada por “path analysis” (análise de trajetórias), os resultados mostraram que a sensibilidade prosódica das crianças influencia diretamente o vocabulário, o conhecimento fonémico e a consciência morfológica e, indiretamente (através desta variáveis), o conhecimento fonémico, a leitura e a escrita.

Os autores concluem sublinhando que a dificuldade das crianças com a entoação correta da fala pode ser um indicador de dificuldades futuras na aprendizagem da leitura, sendo úteis intervenções de correção da oralidade, ainda antes da iniciação às primeiras letras.

Pais e educadores podem, pois, ter um papel muito positivo no desenvolvimento de capacidades prévias à leitura, operando como exemplo de expressividade oral adequada e incentivando a correta expressão oral das crianças.

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