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São bem conhecidos os benefícios da leitura acompanhada, sobretudo na idade pré-escolar. Quer para ampliar o vocabulário, quer para melhorar o nível de compreensão da leitura no futuro. Agora, um estudo publicado pela International Association for Research in L1 Education veio mostrar a linguagem rica e diversificada presente nos livros recomendados pelo PNL, traduzidos do Inglês para Português. 

A leitura de livros ilustrados, pelos pais ou educadoras, acaba por ser uma oportunidade única de ampliar o léxico das crianças em idade pré-escolar. Em geral, durante a escuta de histórias, contadas a partir de livros infantis, as crianças são expostas a palavras novas, menos usadas na oralidade e também a frases construídas de forma mais complexa. Este contacto com novos vocábulos vem do texto escrito e da conversa que se gera, naturalmente, em torno da interpretação das imagens.

Em Portugal, os álbuns infantis traduzidos estão muito representados nas obras nas recomendadas pelo Plano Nacional de Leitura (PNL). Apesar disso, até agora, nenhum trabalho tinha avaliado como o seu conteúdo pode contribuir para o enriquecimento do vocabulário em crianças dos três aos cinco anos.  

Foi o que fizeram as investigadoras Luísa Araújo, Sara de Almeida Leite, Sandrina Esteves e Rita Brito, do Instituto Superior de Educação e Ciências, através da análise de 86 livros infantis ilustrados, traduzidos de inglês para português e recomendados pelo PNL. Partiram para o trabalho com dois objetivos: identificar, e quantificar, o uso de palavras raras (definidas como não- existentes ou de frequência muito baixa nos livros de texto de iniciação à leitura) nos livros infantis traduzidos e perceber os mecanismos de tradução adotados. 

Uma das principais conclusões do trabalho foi que as opções feitas pelos tradutores, que por vezes se desviam da tradução literal, resultam numa utilização de 22% mais palavras raras do que as presentes nos textos originais, sendo “uma boa fonte de aprendizagem de vocabulário em crianças pequenas”, escrevem as autoras. “Sussurrar”, “alvoroço” e “fôlego” são exemplos das palavras menos comuns encontradas nos livros em análise, bem como as palavras “Via Láctea”, “asteroide” ou “ventríloquo”. Em média, um livro traduzido contém 6,6 palavras raras, sendo que a maioria das publicações tem até 15 palavras raras. Só em sete, dos 86 livros analisados, não foi encontrada qualquer palavra incomum.

Vários fatores contribuem para este enriquecimento do texto traduzido com palavras pouco comuns. Embora seja conhecida a preocupação dos tradutores em simplificar a linguagem de forma a torná-la compreensível pelos pequenos ouvintes, isto não impede a escolha de vocabulário que não é usado coloquialmente, desde que o uso destas palavras aumente a clareza e a precisão, mantendo-se a consonância com a ilustração. Um motivo que leva os tradutores a recorrerem a palavras menos comuns é a necessidade de manter a rima e musicalidade em textos escritos em verso. Seguir regras de (boa) escrita, como a evicção de repetições também leva a que os tradutores optem por recorrer a sinónimos, como é o caso da utilização de diferentes palavras com um significado próximo do verbo ‘dizer’ (to say, em inglês), como sejam “mugiu” e “desabafou”. A necessidade de transmitir humor também é um dos motivos para o recurso a palavras ou expressões menos comuns.

Os livros traduzidos do inglês para o português oferecem muitas oportunidades para as crianças ouvirem palavras novas e, considerando as opções dos tradutores, o próprio processo de tradução contribui para aumentar a exposição das crianças a estas palavras.

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