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Um estudo acabado de publicar na revista científica Reading and Writing confirma a importância crucial da capacidade de descodificação dos textos e das capacidades linguísticas para a compreensão do que se lê.

Traduzido por miúdos, isto significa que os fatores principais da compreensão do que se lê são dois: a velocidade/precisão da leitura — ou seja, a tradução em palavras, dos símbolos escritos — e o domínio da linguagem. O estudo incidiu sobre alunos do segundo ano de escolaridade, altura em que se espera que as crianças consigam descodificar palavras e texto e comecem a ler com maior à vontade e segurança.

As conclusões do estudo podem parecer triviais, mas não o são, de facto. A ideia de que a descodificação e a compreensão da oralidade são essenciais para a compreensão do que se lê, a chamada “visão simples da leitura”, tem vindo a ser questionada. Segundo críticos desta visão, seria necessário priorizar as chamadas funções executivas – ou seja, capacidades como a memória de trabalho, a flexibilidade cognitiva, o planeamento e a atenção seletiva. Por essa razão, muitos críticos salientam a necessidade de intervenções socio-comportamentais para ajudar as crianças a desenvolver a capacidade de leitura.

O estudo agora publicado utiliza uma metodologia estatística sofisticada para comparar a influência diferencial das capacidades de descodificação e de expressão oral, por um lado, e de um conjunto alargado de funções executivas, por outro, na compreensão de texto. Numa abordagem experimental, com 184 crianças romenas, os resultados evidenciam que a descodificação e a linguagem oral explicam 92% da variância da compreensão na leitura. O peso das funções executivas é, por isso residual.

O estudo foi feito com o Romeno, uma língua foneticamente transparente, com poucas irregularidades grafo-fonémicas e ortograficamente consistente. Em 2017, um estudo feito por uma equipa da Universidade do Minho, com uma língua relativamente transparente, o Português Europeu, chegou a conclusões semelhantes. O estudo incidiu sobre crianças do 2.º ano de escolaridade, que foram testadas, novamente, no 4.º ano.

Será necessário ter cuidado na extrapolação das conclusões destes estudos para idiomas menos transparentes, como é o caso do Inglês, e para fases mais avançadas de escolaridade.

De qualquer maneira, estas análises confirmam a importância decisiva de duas áreas para a compreensão de texto: a fluência de leitura e a capacidade de compreensão e expressão oral.

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