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O mercado livreiro está saturado de livros que explicam e recomendam o uso de tecnologia na sala de aula, no ensino a distância e no estudo. Muitas dessas obras limitam-se a ser manuais de aplicação que rapidamente se tornam obsoletos. Outras constituem apologias infundadas de benefícios da tecnologia. Outras, ainda, limitam-se a ser receituários fastidiosos, tão interessantes como um manual de reparação de frigoríficos.

O novo livro de Daisy Christodoulou, Teachers Vs Tech: The Case for an Ed Tech Revolution, agora editado pela Oxford University Press, é uma exceção. Nele, a autora explica a importância e as limitações do uso de tecnologia, de tal forma que fornece aos professores e a todos os interessados uma discussão das descobertas recentes da psicologia cognitiva, que permite situar, interrogar e utilizar de forma criativa os instrumentos digitais.

A autora questiona as razões do relativo insucesso dos instrumentos digitais. Entre as possíveis razões, segundo explica, há duas decisivas. Em primeiro lugar, a tecnologia fez promessas impossíveis de cumprir e exagerou o seu possível alcance, prometendo uma revolução em vez de preparar um progresso continuado. Em segundo lugar, muitas das promessas e usos da tecnologia afastaram-se daquilo que hoje se sabe na ciência da aprendizagem.

Os exemplos são múltiplos. Alguma tecnologia prometeu, por exemplo, tornar mais atraente o ensino, mas muitas vezes limitou-se a criar tarefas atraentes, como jogos, que não têm um verdadeiro efeito pedagógico. Podem ser atraentes, mas não são formativas e não trazem o progresso desejado na aprendizagem. Alguma tecnologia prometeu também, um ensino individualizado, adaptado ao estilo de aprendizagem de cada aluno. Na realidade, os estilos de aprendizagem são muito questionáveis e o importante é encontrar formas de explicação e de treino que sejam adaptadas aos conteúdos concretos e não individualizados por aluno. A promessa tecnológica de que o recurso a informação online iria tornar inútil a memorização também tem falhado, pois ignora o facto de o aluno necessitar de informação prévia para procurar e interpretar a informação bruta.

A parte central do livro de Daisy Christodoulou, é, no entanto, a discussão do bom uso da tecnologia. A autora explica como os instrumentos digitais podem ser usados para o teste formativo dos alunos e como há instrumentos que permitem testes adaptativos, com questões de dificuldade ajustada ao conhecimento que os alunos vão demonstrando ter ou não ter ao longo das suas respostas. Mostra como a tecnologia permite espaçar adequadamente a aprendizagem e a recapitulação das matérias, de forma a promover uma melhor retenção e compreensão. E insiste, finalmente, num aspeto central: a tecnologia deve estar ao serviço do ensino dirigido pelo professor enquanto promove a liberdade do aluno para acompanhar a evolução dos tópicos e das atividades em que a turma, no seu conjunto, se empenha.

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