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Introdução

Rever um texto não é uma tarefa simples. Envolve a leitura atenta e a possível introdução de alterações, de forma a obter um texto coeso, coerente, ajustado ao público-alvo, adequado em termos de extensão e linguagem, e consistente com o que o autor pretende transmitir. A revisão de um texto é, também, um acto de reconceptualização, que pode consistir, muito simplesmente, em pequenas mudanças, como substituir uma palavra, ou em mudanças mais significativas, envolvendo unidades maiores, como frases e parágrafos.

De acordo com diversos estudos, os escritores mais experientes e qualificados revêem o texto frequentemente e fazem diversas alterações que alteram o significado. Os escritores sem experiência, bem como os que enfrentam dificuldades ao nível da escrita, apresentam um comportamento de revisão diferente: para além de reverem o texto poucas vezes, as alterações baseiam-se, essencialmente, na correcção de erros e substituição de palavras.

Este comportamento pode, segundo a literatura, ter origem nas seguintes razões: a) desvalorização da importância da escrita ou da revisão de texto; b) desconhecimento dos critérios de uma escrita de qualidade; c) dificuldades na identificação e correcção de erros ortográficos; d) ausência de estratégias de leitura adequadas; e) dificuldades na monitorização da revisão; e f) desconhecimento do objectivo das revisões.

No ensino primário, o comportamento de revisão, característico dos escritores sem experiência e/ou com dificuldades na escrita, tem pouco impacto na qualidade do texto.

Não obstante, a aquisição de estratégias de revisão assume um papel muito importante, na medida em que pode melhorar, consideravelmente, a escrita dos alunos, inclusive dos que têm dificuldades nesta área.

 

Estudo de Graham e colaboradores: objectivo e participantes

De acordo com a literatura, existem várias estratégias de revisão: a) fazer comentários acerca do texto produzido; b) ensinar a fazer uma revisão adequada; c) observar como os leitores proficientes se envolvem na leitura e como utilizam um texto, para realizar uma determinada actividade; d) fornecer ajuda durante o processo de revisão; e e) estabelecer objectivos de revisão do texto. Graham et al. (2021) centraram-se nesta última estratégia, ao analisar o impacto dos objectivos de revisão de conteúdo do texto, no comportamento de revisão dos alunos em risco de dificuldades na escrita.

Os investigadores seleccionaram, inicialmente, 162 alunos do 4o ano de escolaridade, de duas escolas, localizadas na região Médio Atlântico, nos Estados Unidos. Para identificar os que se encontravam em risco de dificuldades, ao nível da escrita, foi aplicado o sub-teste “Story Construction”, do “Test of Written Language-4”, que mede a capacidade de os alunos escreverem uma história completa e interessante.

Foram seleccionados os 22 alunos que obtiveram a pontuação mais baixa. Estes alunos foram distribuídos aleatoriamente, em dois grupos: 1) grupo “objectivos de revisão de conteúdo” (grupo-alvo); e 2) grupo “objectivos de revisão geral” (grupo de comparação). Os alunos realizaram, inicialmente, um pré-teste, no qual planearam, escreveram e reviram, uma história, com o objectivo de a melhorar.

Posteriormente, durante as sessões de intervenção, os alunos do grupo-alvo praticaram a revisão de quatro histórias, com base em objectivos específicos, com o propósito de introduzirem mudanças estruturais significativas nas histórias que planearam e escreveram (como por exemplo, adicionar uma nova personagem). Os alunos do grupo de comparação praticaram, também, a revisão de quatro histórias, mas somente a partir de objectivos gerais, como por exemplo, substituir palavras.

No final, todos os alunos planearam, escreveram e reviram, novamente, uma história.

Todos os procedimentos (pré-teste, intervenção e pós-teste) foram realizados individualmente. As histórias foram avaliadas relativamente ao número de palavras, qualidade da revisão e qualidade da história.

Resultados

 

  1. Os alunos do grupo-alvo, que reviram histórias a partir de objectivos específicos, realizaram mais revisões, inclusive revisões que alteraram o significado do texto, do que os alunos do grupo de comparação. A aplicação sistemática de objectivos de revisão de conteúdo alterou, assim, o processo de revisão dos alunos em risco de dificuldades ao nível da escrita, permitindo-lhes uma revisão mais eficiente e, consequentemente, um melhor desempenho na escrita.

Os resultados são, como Graham et al. (2021) referem, bastante promissores. Fornecem aos professores um método de instrução que permite melhorar, num curto período de tempo, o processo de revisão dos alunos em risco de dificuldades na escrita. Embora este método seja considerado de fácil implementação, há alguns aspectos que, de acordo com a literatura, podem conduzir a uma aplicação mais eficiente:

  1. Os alunos devem ser ensinados a definir e a colocar em prática os objectivos delineados, através da técnica de modelagem, ou da prática guiada, por exemplo;
  2. Os alunos devem receber informação acerca da influência do estabelecimento de objectivos, na própria revisão, bem como no texto escrito;
  3. Os professores devem monitorizar, atentamente, o processo de definição de objectivos, a fim de perceberem se os objectivos delineados pelos alunos são os mais adequados.

Referência Bibliográfica: Graham, S., Harris, K. R., Adkins, M., & Camping, A. (2021). Do content revising goals change the revising behavior and story writing of fourth grade students at-risk for writing difficulties?. Reading and Writing, 1-27.

Qual é o impacto dos objectivos de revisão deconteúdo no comportamento de revisão e desempenho na escrita?

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AUTORES

João Lopes

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João Arménio Lamego Lopes dirige o projeto AaZ – Ler Melhor, Saber Mais. Licenciado em Psicologia pela Universidade do Porto (1981), Mestre em Psicologia da Educação e do Desenvolvimento (Universidade do Porto, 1991) e doutorado em Psicologia da Educação pela Universidade do Minho (1996). Professor da Escola de Psicologia da Universidade do Minho desde 1995.

Professor Associado com Agregação, da mesma Universidade (2004). Director do Departamento de Psicologia Aplicada (2015-2019) e do Mestrado em Temas de Psicologia da Educação da UM. Director do Programa de Doutoramento em Psicologia Aplicada para os países da CPLP. Presidente do Conselho Cientifico-Pedagógico da Formação Contínua de professores (2014-2018), representante de Portugal no CERI-OCDE (2015-2017) e membro do Conselho Geral do IAVE (2013-2018).

Soraia Araújo

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