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A recuperação melhora a aquisição de conhecimentos e a memória, reduz a ansiedade antes dos testes e pode prevenir perdas de aprendizagem associadas ao stress. Esta estratégia tem, todavia, outro benefício: a redução da carga de processamento de informação.

Péter Pajkossy e outros dois investigadores realizaram dois ensaios centrados na relação entre a recuperação e a carga de processamento de informação. O estudo procurou avaliar se a eficácia desta prática se devia à redução dos recursos de atenção de que os alunos necessitam. Uma carga elevada sobre os nossos limitados recursos de processamento pode resultar num pior desempenho, pelo que se torna útil perceber se a recuperação de informação no ensino reduz a procura destes recursos.

Ptesara medirem a carga de processamento de informação dos participantes no estudo, os investigadores utilizaram dados de pupilometria. De um modo geral, quando temos de processar menos informação, as nossas pupilas ficam menos dilatadas, e quando estamos sujeitos a uma carga maior, dilatam-se.

Os ensaios

Em ambos os ensaios, a equipa apresentou 40 pares de palavras em húngaro e suaíli, emparelhadas de modo aleatório, a estudantes de licenciatura húngaros. A utilização de pares de palavras permitiu aos investigadores realizar tentativas individuais de recuperação de informação e determinar com clareza a precisão dos estudantes em cada uma. Este aspeto foi muito importante para a medição do diâmetro pupilar. O emparelhamento aleatório das palavras, por sua vez, garantiu que os estudantes não pudessem recorrer a estratégias associativas durante o ensaio.

O estudo envolveu três fases: 1) aprendizagem, 2) prática e 3) avaliação final. Os dois ensaios divergiram apenas no tempo dado para o teste final: no primeiro, os alunos fizeram-no cinco minutos após a fase prática e, no segundo, uma semana depois. Registou-se o diâmetro pupilar dos participantes através de um computador ligado a um sistema de avaliação ocular remoto.

    1. Aprendizagem

    Nesta fase, pediu-se aos estudantes que memorizassem os pares de palavras. Os investigadores apresentaram os 40 pares ao longo de cinco ciclos, um par por cada ciclo, cinco vezes no total. Depois, os estudantes realizaram uma tarefa de distração durante cinco minutos e avançaram para a fase seguinte.

    2. Prática

    A fase prática também se subdividiu em cinco ciclos, sendo que se apresentou cada par uma vez por ciclo. Em cada ciclo, os estudantes praticaram a recuperação repetida de metade dos pares de palavras, apresentadas em suaíli, sendo-lhes pedido que dissessem o termo correspondente em húngaro. Fizeram também um estudo repetido, com uma nova apresentação da outra metade dos pares de palavras. Deste modo, cada par foi recuperado ou estudado repetidamente cinco vezes.

    3. Avaliação final

    O teste final consistiu na apresentação das palavras em suaíli, para as quais os estudantes tinham de dizer o termo correspondente em húngaro.

Resultados

Durante a fase prática, os estudantes mostraram um melhor desempenho nas palavras que envolveram a recuperação repetida. Em simultâneo, verificou-se uma diminuição gradual da dilatação pupilar. De modo geral, este resultado sugere que o processo de recordar informação é mais automático durante a prática da recuperação repetida.

Os estudantes que fizeram o teste final cinco minutos após a fase prática demonstraram um melhor desempenho nos pares de palavras estudados em repetição do que nos pares de palavras recuperados repetidamente. Contudo, os participantes no segundo ensaio, que fizeram o teste uma semana depois da fase prática, demonstraram um melhor desempenho nos pares de palavras recuperados do que nos pares de palavras estudados. Estes resultados são bastante comuns e demonstram que a prática da recuperação é mais eficaz na memória e na aprendizagem de longo prazo.

Em ambos os ensaios, os estudantes que estavam a ser testados quanto a pares de palavras que já tinham recuperado registaram uma menor dilatação das pupilas, em comparação com os pares que as tinham estudado. Isto tornou-se ainda mais evidente nos pares que tinham conseguido recordar cinco vezes durante a fase prática.

O que significa tudo isto?

Estes resultados sugerem que a recuperação repetida diminui a carga de processamento de informação. Durante as tentativas de recuperação, verificou-se uma quebra do esforço de atenção, o que significa que, nesses momentos, os estudantes tinham à sua disposição mais recursos deste tipo.

Isto pode explicar por que motivo a recuperação parece funcionar tão bem como outras estratégias, ou ainda melhor, em estudantes com menor capacidade de memorização. Esta qualidade está relacionada com o controlo da atenção: em geral, a quantidade de recursos cognitivos dos estudantes afeta o seu desempenho.

Deste modo, se a recuperação reduz a quantidade de recursos de atenção necessários, libertando alguns para outras funções, os estudantes com menor capacidade poderão beneficiar desta estratégia de aprendizagem. Contudo, dado que a prática da recuperação é eficaz na aprendizagem a longo prazo, a estratégia não deverá restringir-se aos estudantes menos capazes de controlar a atenção.

Bibliografia

Pajkossy, P., Szőllősi, Á., & Racsmány, M. (2019). Retrieval practice decreases processing load of recall: Evidence revealed by pupillometry. International Journal of Psychophysiology, 143, 88-95.

AUTOR

Megan Sumeracki (antes Megan Smith) é professora auxiliar no Rhode Island College. Co-fundou o Learning Scientists, em janeiro de 2016, com Yana Weinstein, que já não faz parte da equipa.

Megan concluiu o seu mestrado em Psicologia Experimental na Universidade de Washington, em St. Louis, e o seu doutoramento em Psicologia Cognitiva na Universidade de Perdue. A sua área de especialização é a aprendizagem e memória humana, e aplicação da ciência da aprendizagem em contextos educacionais. A sua investigação centra-se nas estratégias de aprendizagem baseadas na recuperação, e a forma como as atividades que promovem a recuperação podem melhorar a aprendizagem na sala de aula. Tenta responder a questões como: Que formatos de práticas de recuperação promovem a aprendizagem dos alunos? Que atividades de práticas da recuperação funcionam melhor para diferentes tipos de alunos? E, porque é que a recuperação melhora a aprendizagem? Nos seus tempos livres, Meg faz crochet e recentemente começou um blog onde mostra os seus trabalhos. Também gosta de viajar, fazer caminhadas, acampar e de provas de vinho.

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